Não é possível confirmar se a evolução dos tetrápodes ocorreu somente em habitats de água doce. Os fósseis encontrados na Groelândia e Austrália, foram separados por ambientes marinhos. Um fóssil de Tulerpeton foi encontrado em um depósito formado em uma grande bacia marinha rasa. Isso indica que os tetrápodes podem ter evoluído em
lagos salgados ou até mesmo em habitats marinhos. Dessa possibilidade surgem várias perguntas. Que tipo de vida levava os epistostegídeos? Como era o seu habitat? Quais eram seus maiores predadores e competidores? Quais foram os primeiros tetrápodes capazes de coisas que os epistotégideos não podiam realizar?
Para que uma de animal possa se perpetuar é necessário que seja funcional em seu hábitat. As alterações evolutivas ocorrem devido a variação natural dos organismos sujeitos a seleção, conferindo assim uma vantagem para quem as possuem. As características dos tetrápodes não evoluíram por que um dia elas seriam úteis aos animais que viveria na terra; elas eram vantajosas aos animas que ainda viveriam na água.
Os elpistostegideos eram peixes grandes, de até um metro de comprimento e presumivelmente podiam espirar o oxigênio atmosférico, nadando até a superfície e inalando ar, ou se apoiando sobre suas nadadeiras peitorais em águas rasas, elevando a cabeça ate a superfície.
Um grupo de peixes viventes, os peixes sapo, fornece um modelo para a utilidade de membros, similares aos dos tetrápodes, na agua. As nadadeiras peitorais dos peixes sapo são modificadas em estruturas que se parecem muito com os membros dos tetrapoda , sendo utilizadas para andar sobre o substrato . Uma analise na locomoção destes animais revelou que eles se movimentam de dois modos semelhantes aos tetrapoda.

Elaborar uma teoria sobre quais eram as vantagens para uma atividade terrestre não é simples. A teoria clássica é que no período Devoniano houve muitas secas sazonais. Poços rasos formados durante períodos de monções geralmente se esvaziavam em períodos de seca, prendendo seus habitantes em pequenos corpos de agua estagnada. Sabemos que os peixes pulmonados se viventes da África América do sul, lidam com essa situação estivando na lama ate que a chuva volte. Talvez, certos Sarcopterígios dos Devonianos possuíssem nadadeiras que os permitiam rastejar de poços secos, passando pela terra e chegando em locais com mais água. Poderiam milhões de anos de seleção sobre estes peixes mais capazes de evitar a morte, encontrando águas permanentes, produzir uma linhagem apresentando o amento da habilidade na superfície?
Teoria bastante criticada, pois desse modo ele apenas continuaria a vier uma vida de peixe. Uma teoria enfatiza o contraste entre habitats terrestres e aquáticos do Devoniano.
A água estava repleta de uma variedade de peixes que radiaram para uma multiplicidade de nichos ecológicos. Predadores ativos e poderosos competidores eram abundantes. Em contraste a terra estava livre de vertebrados. Qualquer sarcopterygii que pudesse ocupar situações terrestres teria um ambiente livre de predadores e de competidores à sua disposição.
Outra interpretação dos primeiros tetrápodes fala sobre acathostega e ichthyostega ao invés de sobre os elpistostegideos. Acanthostega e ichthyostega juvenis podem ter se congregado em aguas rasas, como o fazem juvenis de peixes viventes e de Amphibia, para escapar da atenção de grandes peixes predadores, os quais são restritos de aguas profundas. Nas extremidades de um lago ou de um estuário, muitas das características morfofisiológicas dos vertebrados terrestres seriam uteis a um tetrápode ainda aquático. Aguas quentes possuem pouco oxigênio e as extremidades dos lagos podem ser especialmente quentes durante o dia. Assim pulmões são importantes para um vertebrado neste habitat. Também pernas poderiam sustentar o peso de um animal em aguas pouco profundas o suficiente para que ele boiasse. Devido a diferenças entre os índices de refração da agua e do ar, alterações nas lentes dos olhos poderiam ter começado a ocorrer.
Iniciando a partir de tetrápodes capturando invertebrados que caiam na agua, podemos vislumbrar uma progressão gradual de formas cada vez mais ágeis, capazes de explorar o habitat terrestre, atrás de alimento, bem como de abrigo contra os predadores aquáticos. A agilidade terrestre deve ter sido desenvolvida ate um estágio no qual tetrápodes jovens eram capazes de deixar seu local de origem, atingindo outro pequeno lagos. Este tipo de comportamento é tão difundido entre os vertebrados viventes que podemos assumir que ele ocorria também nos primeiros tetrápodes. Já que os primeiros tetrápodes eram animais relativamente grandes, o tamanho menor do corpo do jovem poderia simplificar as dificuldades de sustentação, locomoção e respiração na transição de um habitat aquático para um terrestre.